domingo, 1 de novembro de 2015

Finados, lembremos!

"Sim meus queridos, vamos nos lembrar, vamos homenagear e também vamos LAMENTAR a morte dessas pessoas. Lembrando que poucos tiveram a sorte de não serem vítimas da violência, porque a grande maioria, morreu sim de forma brutal e cruel, esses foram esmagados pelo preconceito."

O texto é um lamento pelos tantos irmãos e irmãs LGBT mortos pelo abandono, pelo descaso e pela violência e também um chamado à consciência para não deixarmos sua memória perder-se, foi escrito por Julio Marinho para o Nossos Tons.



Hoje é dia de finados, um dia criado para que nos lembremos dos parentes, amantes, amigos e tantos outros que “se foram”, mas será que é realmente necessário uma data assim? Enfim, Já que a data existe…

Vamos aproveitar o dia de hoje para nos lembrar da morte dos milhares de LGBTs, que morreram ao longo dos anos e em todos os lugares do mundo. Vamos nos lembrar de Oscar Wilde, que mesmo sabendo que seria punido, sempre defendeu “o amor que não ousa dizer o nome”, como forma da mais perfeita afeição e amor. Oscar Wilde morreu de um violento ataque de meningite (agravado pelo álcool e pela sífilis) às 9h50 do dia 30 de novembro de 1900, depois de ficar preso durante anos por amar uma pessoa do mesmo sexo.

Vamos nos lembrar dos milhares de homossexuais que morreram vítimas do nazismo nos campos de concentração, e que foram convenientemente esquecidos pelos livros de história durante tanto tempo.

Vamos nos lembrar dos ativistas LGBTs que morreram tentando combater o preconceito. Grandes líderes como Harvey Milk, assassinado em 27 de novembro de 1978 por Dan White; Claudia Wonder, que faleceu em 26 de novembro de 2010, em decorrência da AIDS; Herbert Daniel, que morreu em 1992, no Rio de Janeiro, também em decorrência da AIDS; David Kato, assassinado em Uganda em 2011, depois de ter seu nome divulgado numa lista de gays “marcados para morrer” em um jornal ugandense…

Vamos nos lembrar dos grandes artistas gays que morreram, mesmo que muitos deles, quando vivos, não tiveram a coragem de assumir sua sexualidade. Rock Hudson, ator americano que faleceu em 2 de outubro de 1985 vítima da AIDS; Cazuza e Renato Russo, ícones do Rock nacional que também foram vítimas da AIDS; Cássia Eller, que morreu em 29 de dezembro de 2001, com apenas 39 anos, no auge de sua carreira em razão de um infarto do miocárdio; Assis Valente, que se matou por amor, em 10 de março de 1958 bebendo guaraná com formicida, como disse lindamente nosso querido Ricardo Rocha Aguieiras: “Brasileiro até nessa hora”. Tantos outros, tantos…

Vamos nos lembrar também dos anônimos, aqueles que morreram única e exclusivamente por conta da sua orientação sexual ou identidade de gênero. Mas como lembrar se nem ao menos os conhecemos? Isso agora pouco importa, o que importa mesmo é que sabemos que muitos e muitas morreram, morrem e ainda (infelizmente) morrerão. Muitos morreram pelos grotões e interiores desse país. Muitos sequer sabiam o que significa a sigla LGBT. Muitos jamais ouviram falar de qualquer um desses ativistas e artistas citados acima. Outros nunca ficaram sabendo que outros homossexuais, milhares deles, morreram nos campos de concentração nazistas, para eles apenas os judeus foram dizimados. Muitos morreram sem nem ao menos se darem conta do porquê…

Sim meus queridos, vamos nos lembrar, vamos homenagear e também vamos LAMENTAR a morte dessas pessoas. Lembrando que poucos tiveram a sorte de não serem vítimas da violência, porque a grande maioria, morreu sim de forma brutal e cruel, esses foram esmagados pelo preconceito. Um preconceito tão antigo e ainda tão presente. Quem sabe um dia a gente possa, num desses feriados de finados, comemorar o fim, a morte desse preconceito. Quem sabe um dia…
Divulgar é uma ótima arma contra o preconceito!

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